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Ciclo de Conferências "Viagens ao Mundo Antigo"
Em outubro de 2025 inaugurou-se o Ciclo de Conferências “Viagens ao Mundo Antigo” no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, evento que contará com a participação de vários conferencistas convidados.
- No dia 10 de outubro de 2025, a primeira conferência do Ciclo, intitulada Viagens a sítios da Grécia onde nunca fui, foi proferida pelo Professor Carlos Fiolhais.

Sinopse:
Uma das minhas melhores recordações das aulas de História no liceu foi a descoberta da Grécia Antiga. A professora apresentava-nos diapositivos cheios de luz e de ruínas. O primeiro artigo que escrevi para um jornal foi sobre o Partenon, tendo consultado para isso o livro «Hélade» de Maria Helena Rocha Pereira. Na Universidade ensinei História da Ciência, pelo que falei da ciência na Antiga Grécia, que alvoreceu com Tales e Anaximandro de Mileto, e se desenvolveu com Pitágoras de Samos, Aristóteles de Estagira, Eratóstenes de Cirene, Arquimedes de Siracusa e Hiparco de Niceia, entre outros. Já estive em muitos sítios do mundo, espalhados por quase todos os continentes. Na Europa já estive na maioria dos países, mas, por contingências do acaso e para grande pena minha, nunca se proporcionou visitar as terras desses sábios. O mais perto que estive foi quando visitei na Turquia o que resta de algumas cidades gregas, em Bodrum/Halicarnasso e Cnido. Não pude deixar de me emocionar, já que sou, como toda a gente na Europa e no mundo, herdeiro do antigo mundo grego. Vou falar sobre esses e outros sítios da Grécia onde nunca fui mas anseio ir, enfatizando a dívida que a ciência tem com aqueles personagens.
- No dia 21 de novembro de 2025, a conferência seguinte do Ciclo teve como título GNÔTHI S’AUTÓN OU DA FÍSICA À ÉTICA – O Mundo Antigo e a Génese das Ciências Humanas, tendo sido proferida pelo Professor José Carlos de Miranda.

Sinopse:
A humanidade nunca subsistiu sem o pensamento mítico e simbólico desenvolvido nas religiões. E nele continua a colher significado para dar à existência. Mas o domínio do mundo facultado pela ciência e pela técnica de que hoje desfrutamos deve-se à emergência de um ou etro pensamento, o lógico, que se lhe veio a acrescentar por volta do século V antes de Cristo. É o pensamento que tenta descrever o mundo em termos de causa e efeito. O seu primeiro exercício veio a ser chamado Filosofia e o objecto que atraíu os seus primeiros cultores, os “físicos”, foi a Natureza (Physis). Quando esse pensamento se virou do mundo a conhecer para o sujeito que o conhece, acrescentou-se à Física, matriz de todas as Ciências Naturais, uma nova Filosofia, a Ética, matriz de todas as Ciências Humanas. Veremos assim, como tem origem no Mundo Antigo, esta classificação que tão profundamente continua a estruturar a Ciência e o Ensino de hoje.
- No dia 16 de janeiro de 2026 ocorrerá a terceira conferência, Da villa romana às quintas de recreio ou do cultivo, do recreio e do repouso, proferida pela Professora Teresa Andresen.

Sinopse:
Explorar uma continuidade tipológica de estruturas ordenadas inscritas na paisagem enquanto lugares de produção e de lazer, como pretexto para uma interpretação da evolução cultural do espaço rural e para uma interpelação aos desafios que a este se colocam hoje. De uma ligação produtiva e racional à terra – símbolo de sustento, ordem e negócio, associada ao refúgio e ao distanciamento, ao prazer e à contemplação e ao ócio – ao desligamento da terra para um novo re-ligamento.
- No dia 27 de fevereiro de 2026 a conferência Expresso do Oriente: rotas pela Antiguidade no universo (pré)islâmico, a quarta do Ciclo, será proferida pelo Professor Jorge Correia (EAAD/Lab2PT/IN2PAST).

Sinopse:
Em 1883 inaugurava-se uma viagem de comboio entre Paris e Istambul que viria a tornar-se lendária: o Expresso do Oriente. Conduzia os seus passageiros até às portas da Ásia e do Grand Tour, abrindo-lhes caminho para os vestígios e fantasmas da história ocidental, agora “desfigurados” pelas culturas árabe, persa e turca, todas elas de matriz islâmica. Esta palestra propõe um percurso que, partindo das ruínas de Constantinopla, desenha itinerários no tempo, (re)descobrindo paisagens e cidades da Antiguidade arcaica e clássica, bem como pelo atual universo islâmico que se estende pelo Médio Oriente e pelo Norte de África. Das civilizações autóctones do Crescente Fértil à primeira vaga de expansão grega, dos regionalismos helenísticos e nabateus aos anéis de colonização romana, o trajeto compõe-se de impressões pessoais que se transformam em viagem partilhada, ainda que virtual. Incluindo até os ecos bizantinos, subsistem inúmeras ruínas cristalizadas que lemos como testemunhos pétreos de uma cultura colonial e orientalista; outras, reconfiguradas em cidades de ocupação contínua, ajudam-nos a compreender as características espaciais do Islão.
+ Info sobre o Ciclo de conferências: AQUI
10 de outubro de 2025 25 de novembro de 2025 16 de janeiro de 2026 27 de fevereiro de 2026 18h30
Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa
Ana Sofia Silva (Lab2PT/IN2PAST)